Os gatos são animais naturalmente limpos e independentes, o que os torna excelentes companheiros. Desde muito pequenos, eles têm o instinto de procurar superfícies macias para fazer suas necessidades e cobrir o que produzem — um comportamento herdado de seus ancestrais selvagens. Por isso, aprender a usar a caixa de areia costuma ser um processo simples e natural. Ainda assim, escolher e manter a caixa ideal é essencial para evitar problemas e garantir o bem-estar do seu gato.
“Treino” para o uso da caixa
A partir das três ou quatro semanas de vida, os gatinhos começam a explorar e brincar com materiais soltos, como terra ou areia. É nessa fase que também passam a fazer suas necessidades nesses locais. Ao contrário dos cães, os gatos não precisam ser ensinados ativamente a usar a caixa — forçá-los a isso pode gerar associações negativas. Basta oferecer uma caixa acessível e adequada do ponto de vista do gato.
Considere os fatores abaixo para garantir a melhor experiência para você e seu gato:
Tamanho importa
O tamanho da caixa é fundamental. Gatos preferem caixas amplas, onde possam cavar, girar e cobrir seus dejetos sem encostar nas bordas. Como regra geral, a caixa deve ter uma extensão equivalente a 1,5 vez o comprimento do gato, do nariz até a base da cauda.
Profundidade e tipo de areia
Muitas pessoas acreditam que adicionar mais areia reduz a necessidade de limpeza, mas isso não é verdade. Gatos preferem superfícies com poucos centímetros de material solto. De 2 a 3 cm de areia é o ideal — suficiente para cobrir os dejetos sem que o gato afunde.
A maioria dos gatos prefere areias finas, especialmente as versões aglomerantes. Evite areias muito perfumadas ou produtos muito diferentes (como cristais ou serragem), pois muitos gatos rejeitam cheiros e texturas fortes. A areia não deve ser trocada com frequência de forma desnecessária ou por versões mais baratas sem testar primeiro, já que mudanças bruscas podem desencorajar o uso.
Se desejar controlar odores, coloque uma fina camada de bicarbonato no fundo da caixa. Caixas limpas não devem ter cheiro perceptível.
Localização é essencial
É comum que tutores coloquem a caixa em áreas escondidas, como a lavandaria. No entanto, esses locais podem ser frios, barulhentos ou de difícil acesso, especialmente para gatinhos ou gatos idosos. Máquinas de lavar, secadoras e aquecedores podem assustar o gato durante o uso.
Prefira locais tranquilos, acessíveis e com rotas de fuga. Em casas com mais de um andar, coloque ao menos uma caixa por piso. Evite também posicionar a caixa próxima aos comedouros e bebedouros do gato. Se o piso for frio ou escorregadio, coloque um pequeno tapete sob a caixa.
Tipos de caixas
Existem caixas de vários formatos e tamanhos. Caixas abertas oferecem boa circulação de ar. Caixas fechadas proporcionam privacidade, mas podem concentrar odores, o que desagrada alguns gatos. Caixas com entrada superior são cada vez mais comuns porque proporcionam um refúgio sem tanto desperdício de areia. Caixas automáticas podem ser práticas, mas o barulho ou o movimento pode assustá-los. Assim como acontece com a localização, oferecer diferentes tipos ajuda a identificar a preferência do seu gato.

Encontrar o tipo e tamanho ideal é importante para o bem-estar do gato.
Quantas caixas?
Use a regra de ouro: número de gatos + 1. Assim, uma casa com dois gatos deveria ter três caixas. Distribuir as caixas em locais diferentes evita disputas, bloqueios e comportamentos territoriais.
Manutenção
Gatos são extremamente sensíveis ao cheiro e à limpeza da caixa. Fezes devem ser removidas diariamente. A troca total da areia varia de acordo com o uso e tipo de litter: tanto pode acontecer uma vez por semana como uma vez por mês. Se houver mau cheiro ou muita areia húmida, é hora de trocar. Para lavar a caixa, use por produtos específicos ou apenas sabão neutro e água — produtos de cheiro forte podem afastar o gato.
Forros
Muito donos gostam de utilizar forros de plástico para facilitar a limpeza da liteira. A maior parte dos gatos adaptam-se bem a forros plásticos; outros não gostam da sensação. Caso use forros, fixe-os bem para evitar acidentes.
Se surgirem problemas
Se o gato parar de usar a caixa, consulte um veterinário. Problemas urinários ou dor podem alterar o comportamento. Caso a causa não seja médica, reveja fatores ambientais: tamanho da caixa, areia, localização e limpeza.
Punir o gato nunca resolve. Ajustes no ambiente e, quando necessário, orientação de um profissional de comportamento felino são as melhores soluções.